segunda-feira, 31 de março de 2008

Novo atelier de escrita

Na página de Serralves na Internet já se pode encontrar a informação sobre o novo atelier de escrita que se inicia em Abril. Ver aqui

quinta-feira, 27 de março de 2008

Johnny Cash God's Gonna Cut You Down

Tonicha - Menina - videoclip

de onde se retira com galhardo regalo que Tonicha e Joana Amaral Dias são uma e a mesma pessoa.

NELSON NED - Tu me haces falta

segunda-feira, 24 de março de 2008

Festa na aldeia




Não custará acreditar que a prática da natação sobreviveu até à época do homem erectus; sabemos por experiência própria que sobreviveu até ao tempo do homo sapiens. As pessoas abastadas bastante para poderem idealizar os locais onde habitam constroem casas de banho e chuveiros e piscinas e passam as férias perto do mar. Uma vez aí exibem a tendência talassotrópica que fascinou Robert Frost:

As pessoas ao longo da areia
Viram-se e olham todas na mesma direcção.
Viram costas à terra
Olham para o mar o dia inteiro.(…)

Uma tal preferência parece-nos “apenas natural – faz parte da natureza humana”. Mas porquê? Ela não faz parte da natureza dos primatas. Se descendêssemos meramente de um símio arborícola encalhado, os nossos instintos atávicos deviam inflacionar os preços dos hotéis com vista para a floresta, e as pessoas instalar-se-iam às centenas nas suas espreguiçadeiras para contemplar as árvores o dia inteiro.”

A Hipótese do Símio Aquático, Elaine Morgan, Lisboa, Via Óptima, 2004



Nota de Alien Taco - Este livro foi-me oferecido por Pimpinelo Rojão, por ocasião do seu 90º aniversário, em Berças de Trasco, uma remota cidadela na Terra Média. Na festa apenas eu cinco minhotas sem buço vagamente vestidas e Pimpinelo. Com os dentes cheios de arroz de sarrabulho ele disse-me: “toma tens que ler isto. Afinal há quem ache que viemos da água. Símios aquáticos, extraterrestres; Deus donde viemos nós, afinal?”- foi a pergunta de Pimpinelo enquanto se alambazava de pudim de ovos com fios dos mesmos. Eu lá li o livro do velho Rojão e agora partilho convosco este texto do dito. Pimpinelo trabalhou nos caminhos-de-ferro como comboio durante setenta e cinco anos, reformou-se há 25 e espera viver até aos cem na sua quintarola de Berças de Trasco, rodeado de gnomos de jardim e muita carne de porco. O seu lendário apetite por cultura levou-o a criar a sua própria companhia teatro: “Os Fémures da Barcarola” e uma editora a Trambolho de Bolso. No fim da festa já adornado pela bebida com olhos flamejantes disse-me : “cá para mim o segredo está na ilha de Páscoa. Esses é que sabiam.” E foi com esta enigmática e bêbada frase que se despediu emocionado o meu velho amigo Pimpinelo Rojão, o perseverante procurador do sentido e da origem do seu semelhante e dos doces conventuais.

segunda-feira, 17 de março de 2008

Leituras


Confesso que não tive oportunidade de ler o livro O meu nome é guião. Mas o título é catita. De Lobo Antunes tive o prazer de ler a Memória de Altifalante onde como toda a gente me pasmei perante a parábola do elefante e do cornaca. Para quem não leu o livro trata-se duma pequena estória sobre um cornaca sádico que todas as manhãs sorvia o seu leite de coco depois de abrir o mesmo coco na cabeça do elefante. Durante anos o elefante aguentou mas um dia ao entardecer pegou num coco e esmagou a cabeça do cornaca. Mas a beleza de toda a parábola jaz no facto de ninguém saber se o elefante comeu o coco ou não. Li também o belo Ontem não te vi na Lapónia, onde o personagem Ravintola abandona a sua ocupação de vendedor de gomas em Helsínquia para ver a aurora boreal e encontrar o seu guia animal. E mais não digo. Recomendo toda a obra de Lobo Antunes até os livros que ele ainda não escreveu. Sendo psiquiatra não é maluco de todo, o que é, como é sabido cousa muy rara.


sábado, 15 de março de 2008

O meu nome é legião

Qual dos colegas - bloggers leu o último livro de Lobo Antunes e quer dar uma opiniãozinha ? ? ?

quinta-feira, 13 de março de 2008

O encontro das espécies

Numa festa de galantine bizarro amor,
uma jovem encontrada nua e sorridente em galante pose.
A seu lado, um fox terrier exausto fumava um cigarro.
A donzela fumava também.
Ao longe Tintin fugia abotoando as bragas.

terça-feira, 11 de março de 2008

www.imeem.com

Continuando a falar de música ( Benvindo Zé Mesquita!), e para quem gosta de encontrar música na Web fica a indicação de um site com muita música online. Inclusivé podem copiar as músicas para blogs, páginas pessoais, etc, como fiz com a música do JP Simões. Gosto do ritmo e acho a letra genial.



sexta-feira, 7 de março de 2008

Vivam !
Finalmente tenho acesso ao blog, com a imprescindível ajuda da Gabriela.
Mas continuo a reinvindicar para mim, se f. f., o primeiro prémio de "o mais nabo a lidar com estas coisas da informática".
Como não tenho mais nada para apresentar, venho dar uma sugestão: apagar a luz, pôr o som mais alto e fechar os olhos para tocar o pico do sublime com este trecho em quatro versões:

Versão A
http://www.youtube.com/watch?v=dOYsdtwLSrA

Versão B
http://www.youtube.com/watch?v=tjG6NaMKQo0

Versão C
http://www.youtube.com/watch?v=dOYsdtwLSrA&feature=related

Versão D

Depois aceita-se votação: 4 pontos na interpretação melhor, 3 na segunda, etc.

' Bora !

Um abraço ou um beijo conforme o / a destinatário / a.

Zé Mesquita ( o mais n. a l. c. e. c. da inf. )

quarta-feira, 5 de março de 2008

António

O calor e a ansiedade encharcavam a face de António. Os fios que tombavam da sua testa aliavam-se ao cansaço que lhe pesava as pestanas. O suor escorregava, em gotas, pela cana do nariz, para se acamar nas covas do seu lábio superior. Acumulava-se a água, como um bigode, por cima da boca até ser sacudida por um safanão violento vindo do volante. Outros fios escorriam-lhe nas costas provocando arrepios embaraçosos que o deslocavam no banco. Habituara-se ao suor desde que começara a tomar peso, ainda antes de partir para África, mas, aquela viagem apressada, estava a transformá-lo num pano encharcado. Uma mosca enamora-se do seu ouvido esquerdo em tangentes sonoras incómodas que procurava interromper com o esgar do pescoço na direcção da janela. As mãos melosas tentavam alcançar a alavanca para abrir o vidro, permitindo expulsar a mosca e repor alguma justiça na sua temperatura corporal.
Há mais de cem quilómetros que não falava, os pensamentos ocupavam-lhe a mente, não deixando espaço para o discurso. Ao seu lado, Júlio não se atrevia a quebrar o silêncio. Noutras circunstâncias talvez o fizesse mas, desta vez, limitava-se a refrescar-se com água e a desejar que a noite anterior nunca tivesse acontecido. Preparava, há algum tempo, uma interjeição que resolvesse aquele desconforto que se adensava mas, desistia sempre no último momento. Descrevia gestos tensos, ora arrastando as mãos sujas pelas coxas, ora coçando violentamente as patilhas até que se enchessem os ombros de caspa fina. Júlio nunca fora um tipo violento, nem mesmo com os pretos em África, a quem raramente levantava a mão, mas o álcool e uma zaragata foram suficientes para o levar à vertigem que o condenou.
Aproximava-se a fronteira, forçando a paragem para que Júlio se escondesse na bagageira do Volvo. Escondeu-se por baixo de umas mantas e de uns sacos de viagem que serviriam para o disfarce, pediu mais uma vez desculpa como um cão arrependido e envolveu-se quieto. António tornou ao volante, apesar de ter ponderado abandonar o carro naquele momento. Recordou, nesta altura, a fronteira da Namíbia, que passou vezes sem conta em direcção à Africa do Sul, o calor e a poeira davam particular credibilidade a esta recordação.
Chegado à fronteira, António parqueou o carro e meteu conversa com o fiscal que se preparava para vistoriar o carro. Abriu a bagageira, onde se distinguia um pé de Júlio enroscado por baixo dos sacos. Um choque de pânico percorreu António, que se viu perdido naquele momento. Puxou as calças para cima, num gesto nervoso que muitas vezes repetia, e retomou um ar calmo. Julgando ser o pé de um morto e temendo o pior também para si, o fiscal disse a António que seguisse.
Seguiram para Tui onde ficou Júlio, em lágrimas, com algum dinheiro para a fuga. Uma semana mais tarde, ainda com dinheiro no bolso, voltou a Portugal e entregou-se à guarda.

Desenho - Andreia Dias
Este é o último post do meu blog, para que mais gente o leia, tem poucas visitas este meu blog (http://hermesrevelado.blogspot.com).

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

Regras para a prática da escrita

Tento ver a escrita como algo de raiz leve e moderada, algo que inicialmente sugere a descontração. Um passo para desligar a rotina, o caminho para o abandono das programações constantes que os nossos pensamentos e actos imediatos evidenciam diariamente.
Esta visão tem como objectivo libertar a escrita do estigma da obrigação. Felizmente posso pensar assim. Não vivo da escrita e a minhas pretensões não passam de uma forma de descobrir-me a mim próprio, ainda que esse propósito do auto conhecimento constitua um plano ambicioso e em certa medida contenha um lirismo inocente que contribui para me inebriar. Não levar-me demasiado a sério constitui sempre um bom contrapeso. Ás vezes é como fosse um jogo e brincasse ao : "escrever o que sou agora". Porem, vou sentindo necessidade de introduzir algumas regras ao meu "jogo da escrita" e pouco a pouco vou colhendo e absorvendo algumas ideias fruto dos meus interesses e procuras. Vou tendo a percepção que há vários níveis de profundidade quando mergulho nas palavras escritas e gostava de entender qual o grau apropriado para cada estado emocional. ( Sempre quis escrever uma frase parecida com esta.)
Gosto de pensar na escrita como uma terapia criativa, aliás algo que no atelier de escrita com o Mário Cláudio é explorado. Com base nesse conceito, a escritora Natalie Goldberg, norte americana especialmente conhecida pelos seus cursos de oficina de escrita, define algumas regras da prática de escrita que passo a transcrever:

" As regras de escrita são o ponto de partida, o início de toda a escrita, o fundamento para aprender a confiar na tua mente. Confiar na tua mente é essencial para escrever. As palavras saem da mente.
E alem disso creio nestas regras. Talvez seja un pouco fanática por elas.
- Actuas como se fossem regras para viver, como servissem para tudo - disse um amigo querendo importunar-me.
Eu sorri.
-De acordo, vamos provar. Servem tambem para o sexo? -Perguntou ele.
Levantei o polegar para indicar a regra número um: "Manter a mão em movimento". Assenti com a cabeça.
Dedo índice, regra número dois: " Ser concreto". Soltei um grito de júbilo.
Dedo número três: " Perder o controle". Estava a tornar-se claro que a escrita e o sexo eram o mesmo.
Finalmente, a número quatro: " Não pensar", disse eu.
Sim, tambem funcionavam para o sexo. Eu tinha razão. O meu amigo e eu começamos a rir.
Daqui para a frente experimenta estas regras com o ténis, enquanto conduzes o carro, ou preparas uma sandes de queijo ou disciplinas um cão ou uma serpente. De acordo. Pode ser que não deem resultado sempre . Mas dão com a escrita. Experimenta."

"Agora cito umas regras que não são necessariamente aplicadas ao sexo, mas que se quiseres podes tentar aplicá-las.
Não te preocupes com a pontuação, a ortografia, a gramática.
Não tenhas problemas em escrever o pior lixo da nação.
Vai directo ao "pescoço". Se surgir algo pavoroso segue-o. Aí é onde está a energia."

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

Este país não é para velhos


Este país não é para velhos. Jovens

Abraçados, pássaros que nas árvores cantam

-essas gerações moribundas-

Cascatas de salmões, mares de cavalas,

peixe, carne, ave celebrando ao longo do Verão

Tudo quanto se engendra, nasce e morre.

Prisioneiros de tão sensual música todos abandonam

Os monumentos de intemporal saber.


W. B. Yeats


sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

Poema de merda

Sentei-me no mármore
e logo o cu aqueceu.
Das entranhas
a bem da tripa
saiu fétido folhado
de hortos e grelos.
Ali sentado no mármore
percebi que cagar é comer ao contrário.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

Finalmente!!!!

Finalmente consegui entrar neste universo fertil.
Vou ler tudo com carinho e depois dar as minhas "achegas".
Até breve

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

domingo, 17 de fevereiro de 2008

O Rosto

A propósito do tema da morte, vezeiro nas nossas aulas de escrita, principalmente nas últimas, resolvi partilhar o seguinte texto do Diário de Torga, de que, como já perceberam, gosto muitíssimo.
"Coimbra, 20 de Março de 1971 - Nunca mais poderei esquecer aquele grito de terror esgazeado: - Ela aí vem! Ela aí vem! É agora! Ainda injectei adrenalina no coração, massagei, fiz respiração boca a boca. Nada. O homem estava irremediavelmente morto. Era um pesado cadáver a arrefecer e a enrijecer progressivamente, como o de tantos a que não conseguira valer pela vida fora. E só me restava esquecer o incidente e regressar aos papéis, até porque o doente estava à espera de ser atendido por outro colega, e a minha intervenção tinha sido puramente casual. Mas havia o facto inquietante da visão e do pânico. O alarme aterrado diante do espectro que mais ninguém descortinava. E continuo sem poder pensar noutra coisa, impressionado, aflito, com as palavras do moribundo metidas no ouvido. O que é que o sujeito teria visto? Como será o rosto da morte?"

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

Garrida virtude




O longo beijo da preguiça

a alvorada na casa do texugo

e a fuligem do resto,

fazem de todos os tontos

reis de outros tolos.

E de ti o meu amor.

E de ti o meu amor.

Que não pára

nem para sonhar

ancorado nesta parte de tudo.

Nesta parte de tudo

no teu verde prado

no solar de carne

que rodeia a tua alma

do vermelho que jorra

da carne pintada da boca

dos lábios de rosa.

De lírio do sol

a tua alma por mim roga

à luz duma Virgem que olha

pela mantilha que suas

para rezar neste fresco abrigo de pedra

em casa de Guadalupe.

Nelson Ned - Tudo Passara

dedico este video singelo a todos os ilustres ouvintes com votos de um bom fim-de-semana.

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008

O Aviso 2

Os nomeados para a 1ª edição dos Prémios TanagraSA são:

Nas Categorias:

Prémio por ter dado o nome ao blogue.
Nomeados:
- Tanagra


Prémio o primeiro post a seguir à sugestão para se escrever qualquer coisa

Nomeados (alguns com votos negativos dos próprios)
- Pedrocalvao
- Pedro Brandão
- Paula
- Tanagra
- Roldeck

Prémio vejam lá se postam alguma coisa

Nomeados:
-Minerva
- Maria Antónia
- Gabriel Mário Dia
- Rotundas
- A. Roma
- Zeus


REGRA para a votação: Não valem votos negativos dos próprios!

quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

Aviso

Depois de eu me ter estado a matar a pensar no que é que poderia ser o prémio, alguém vai ter de levar com ele! Para piorar a situação resolvi que seria boa ideia consagrar a atribuição anual dos Prémios TanagraSA (portanto, vai ser mais do que um) e que os prémios serão entregues no jantar de encerramento do atelier. A única hipótese de todos escaparem a apanhar com o prémio, é terem-se esgotado na loja. Eventualmente em próximo "post" será afixada a lista dos prémios e dos nomeados.

Glifos

Tal como a Paula e o PedroCalvão, eu não quero o prémio mas sim divertir-me em vive-lo!

Venho pôr a escrita em dia
leva-la à exaustão
Conhecer o limite
saber o que determina
a tua intervenção
É a palavra
que ganha dimenção
criando este espaço entre nós
distância necessária
para entender
em ultima instância
que estas a ver
o que estou a pensar
sem nunca tu dizer
Em boa verdade
o que quero é viver
esta aventura contigo
deixar o tempo passar
ficar na tua cabeça
fazer nela o silêncio falar
O que aqui existe já passou
e por mais que se tente
não se consegue apagar

tanagra

sexta-feira, 25 de janeiro de 2008

quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

Novo teste

Estou ainda numa fase de testes

experiencia

Será que posso "postar" via email? Parece que sim

Acordei

Acordei. Às vezes a gente adormece um pouco. No meu caso, é coisa de velhos.

quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

Cidreira

Com Torga partilho sentimentos e palavras, como as seguintes do seu Diário, que podiam ser minhas...
"Coimbra, 12 de Janeiro de 1971 - E era tão fácil ter paz! A bovina, evidentemente, e a que apetece, em boa verdade, na maioria das horas. O corpo afundado no sofá, e o espírito alapardado na conformação. Sorrir, aquiescer, abanar a cabeça, fingir... As pessoas querem-nos banais, passivas, conciliantes... Pois sejamo-lo. Não vale a pena contrariá-las, ser junto delas uma presença de constante inquietação... Mas, quando tudo parece bem encaminhado, um demónio interior borra repentinamente a pintura. Numa frase, numa interjeição, num gesto, ponho fim à comédia. Tiro a máscara, e mostro o rosto impaciente, crispado, rebelde a qualquer domesticação. Resultado: Um abismo de ressentimentos à minha volta. E dá-me vontade de morrer. Em nome de um homem abstracto que tento dignificar em mim, sacrifico o homem concreto que sou, o mais vulnerável dos mortais - que a secura duma resposta pode manter, como agora, acordado e desesperado a noite inteira -, tímido, agónico, Deus sabe até que ponto necessitado em certos momentos de saborear também a cidreira da felicidade sem história"

PS: Este é o último post que coloquei no meu blog (http://www.hermesrevelado.blogspot.com/), que os convido a visitar. É também uma candidatura ao prémio da redonda...

terça-feira, 22 de janeiro de 2008

Aconteceu


Escrevo agora.

Aconteceu.


Não quero o prémio, rejeito-o.

Não como qualquer escritor maldito; não sou escritor.

Apenas um tipo que foi para um atelier de escrita sem saber bem porquê.

Talvez para Zarpar...



Zarpar

um acto falhado

na noite hedonista e no mar homérico

a alma penada enfrenta amor épico.



Rasgadas as vestes

o corpo despido

a alma ressaca

o amor prometido.



Ó mar cor de vinho

dulcíssimo balanço

que eu morra no caminho

que eu morra tentando.



E Zeus no Olimpo

recolha o defunto

emborque o seu vinho

e redima o mundo.




e até quarta, não é verdade?

Mais uma sugestão

Tive outra ideia (hoje estou inspirada).
Já que às anteriores sugestões não se seguiu nem um "post", e como em princípio vamos ter um jantar no final do atelier, que tal instituirmos um prémio para quem escreva alguma coisa até lá, a ser entregue durante o jantar? Até poderíamos pôr o Roldeck a discursar e tudo. Aliás, se ele não vier aqui e ler isto e deduzir a necessária oposição no prazo de (estava a pensar em estabelecer um prazo curto de segundos, mas para ser justa e sobretudo porque desconfio que se calhar mesmo com um prazo longo, não vem na mesma) 24 horas, pode ficar já nomeado para o discurso da entrega do prémio!

sábado, 5 de janeiro de 2008

Sugestões

Que acham da ideia de "postarmos" neste blog, alguns dos trabalhos que escrevemos no atelier?

Quer no primeiro, quer no segundo, gostei imenso de ouvir ler alguns, pela forma como estavam escritos e pela originalidade do tratamento do tema. No entanto, porque apenas os ouvi e por uma vez, fiquei depois somente com uma vaga memória. Lembro-me, por exemplo, que quando fomos desafiados a escrever uma receita culinária, gostei muito de vários, entre os quais o da Minerva e o do Roldek, mas também o da D..., (que para já ainda não entrou para o blogue) e o de um colega (que penso não estará neste segundo atelier) que personificou os ingredientes, vinho do Porto, manteiga e chocolate.

Poderíamos também eleger ou propor um tema sobre o qual todos iríamos escrever, à semelhança dos trabalhos de casa, e poderia ser um projecto interessante elaborarmos um texto colectivo, estabelecendo previamente uma ordem para a sua continuação.

sábado, 29 de dezembro de 2007

Diário

O Diário de Miguel Torga desafia os seus leitores de várias formas. Além do prazer das palavras que descrevem os dias do escritor, obriga-nos à tarefa poética de rasgar o bordo de cada página, toscamente colada à anterior, para alcançarmos a continuação dos parágrafos inacabados. Cada nova página é um desafio de leitura e de perícia com a tesoura.
Achei o texto natalício (talvez seja pouco natalício) de Torga no dia 24 de Dezembro de 1968 interessante, resolvi partilhá-lo.
"S. Martinho de Anta, 24 de Dezembro de 1968 - As rabanadas comidas, a família recolhida, a árvore de Natal apagada, e eu aqui à lareira, debruçado sobre as brasas da murra sacramental, a passar mais uma vez as velhas contas do meu rosário de perplexidades. Como é que o Pai mandou o Filho tão tarde salvar o mundo? Quando já tantos milhões de homens se tinham perdido e a estratificação de alguns dos pecados mortais era irremediável? Mistérios divinos - a que a descida aos infernos emprestaria a necessária ambiguidade - ou, mais simplesmente, o Advento não aconteceu por altos desígnios, mas apenas por humana vontade? Há duas duas passagens nos Evangelhos que sempre me perturbaram. Numa, Jesus ensina: "Sede perfeitos como também vosso Pai celeste é perfeito". Na outra, mais preciso ainda, alude ao Salmo que diz: "Sois deuses". E, quando leio os versículos, parece-me estar a receber ordens perentórias de assumir a divindade. Em ambos os casos, o homem tem a sua sobrenaturalidade nas mãos. Simplicíssima, afinal, a entrada no céu: em vez de se bater timoratamente à porta, empurrá-la. Foi, de resto, o que fez Jacob quando lutou com o Anjo: "Não te largo enquanto me não abençoares". E se Cristo tivesse feito o mesmo? Se, convictamente, tivesse proclamado que chegara enviado pelo Altíssimo? Que outra coisa poderia fazer o Altíssimo, perante a violência de semelhante certeza, senão resignar-se e dizer que sim?

segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

Pequena experiência para me iniciar num blogue colectivo

.
"Talvez seja verdade que não existimos enquanto não houver quem veja que nós existimos, que não falamos enquanto não houver quem ouça o que estamos a dizer, no fundo, que não estamos completamente vivos enquanto não formos amados."
.
Retirado do livro que estou a ler agora, "Ensaios de Amor" de Alain de Botton, página 112.

domingo, 9 de dezembro de 2007

Olá! a todos
Foi num jantar de repetentes... Com polvo como pano de fundo, por vinho bem regado e muito bem humorado; que a nossa juíza - Boa, teve a brilhante ideia deste Blog SA ( sem benefícios fiscais).
Espera-se dele? Palco, tela, pauta, ecrã... Registo em que a palavra que passa de boca em boca é reinventada quando lida neste ponto de encontro.
Afinal é a falar que a gente se entende e é na escrita que se compreende!
Que sejam muitos os textos, de todas as cores, musicalidades e diferentes interpretações. Para que antes de se apagarem na memória, ganhem voz em nós através da escrita.
Boa semana
Tanagra

sábado, 8 de dezembro de 2007

O Escritor


Yashima Khadra é o pseudónimo sob o qual escreve Mohammed Moulessehoul. Moulessehoul nasceu em Orão em 1955 e foi, até há pouco tempo, militar de carreira do exército Argelino. A sua escrita percorre os conflitos recentes no Médio Oriente com uma lucidez e um equilibrio invulgares, é assim em O Atentado e em As Sirenes de Bagdad, ambos publicado em português pela Bizâncio. O seu pseudónimo feminino permitiu-lhe escapar à censura militar, em O Escritor, Moulessehoul revela a sua identidade, conta a sua história, descrevendo-a como a fatalidade de ser escritor:
"O sofrimento não me aterrava; despertava-me, fazia-me tomar consciência da minha singularidade; eu era aquele que sabia ver, que estava atento à dor dos camaradas. E essa coisa, que se fortalecia em mim, habitava-me justamente para me assistir nessa vocação. Não foi senão ao ler O Pequeno Polegar que a descarga se abateu sobre mim, como uma revelação que bate à porta. Era aquele o dom divino: o verbo. Nascera para escrever! Ao abrir o belo livro, ao percorrer as suas páginas de esplêndidas ilustrações, plenas de fascínio, fiquei irremediávelmente apanhado: escrever livros. Devorei outros contos com um apetite insaciável: Branca de Neve, O Capuchinho Vermelho, A Bela Adormecida, as Fábulas de La Fontaine. Era feérico. Mas o meu fascínio, o verdadeiro, não era nem pelas histórias nem pelas personagens ou pelo talento fantástico dos desenhadores. Só o descobri ao iniciar-me, eu próprio, na escrita: estava fascinado pelas palavras... aquela junção de caracteres mortos que, entre uma maiúscula e um ponto, ganhavam de repente vida, tornavam-se frases, conjuntos, aquiriam força e espírito. Soube de imediato aquilo que mais queria no mundo: uma pena ao serviço da literatura, essa sublime bondade humana que não tem igual senão na sua vulnerabilidade; essa bondade suprema que continua a ser, ainda hoje, a última fortificação da nossa salvação, o último bastião contra a animalidade, e que, se alguma vez viesse a ceder, sepultaria sob os seus escombros todos os sóis do mundo, e então, boa-noite..."