Depois de eu me ter estado a matar a pensar no que é que poderia ser o prémio, alguém vai ter de levar com ele! Para piorar a situação resolvi que seria boa ideia consagrar a atribuição anual dos Prémios TanagraSA (portanto, vai ser mais do que um) e que os prémios serão entregues no jantar de encerramento do atelier. A única hipótese de todos escaparem a apanhar com o prémio, é terem-se esgotado na loja. Eventualmente em próximo "post" será afixada a lista dos prémios e dos nomeados.
quinta-feira, 31 de janeiro de 2008
Glifos
Tal como a Paula e o PedroCalvão, eu não quero o prémio mas sim divertir-me em vive-lo!
Venho pôr a escrita em dia
leva-la à exaustão
Conhecer o limite
saber o que determina
a tua intervenção
É a palavra
que ganha dimenção
criando este espaço entre nós
distância necessária
para entender
em ultima instância
que estas a ver
o que estou a pensar
sem nunca tu dizer
Em boa verdade
o que quero é viver
esta aventura contigo
deixar o tempo passar
ficar na tua cabeça
fazer nela o silêncio falar
O que aqui existe já passou
e por mais que se tente
não se consegue apagar
tanagra
Venho pôr a escrita em dia
leva-la à exaustão
Conhecer o limite
saber o que determina
a tua intervenção
É a palavra
que ganha dimenção
criando este espaço entre nós
distância necessária
para entender
em ultima instância
que estas a ver
o que estou a pensar
sem nunca tu dizer
Em boa verdade
o que quero é viver
esta aventura contigo
deixar o tempo passar
ficar na tua cabeça
fazer nela o silêncio falar
O que aqui existe já passou
e por mais que se tente
não se consegue apagar
tanagra
sexta-feira, 25 de janeiro de 2008
quinta-feira, 24 de janeiro de 2008
quarta-feira, 23 de janeiro de 2008
Cidreira
Com Torga partilho sentimentos e palavras, como as seguintes do seu Diário, que podiam ser minhas...
"Coimbra, 12 de Janeiro de 1971 - E era tão fácil ter paz! A bovina, evidentemente, e a que apetece, em boa verdade, na maioria das horas. O corpo afundado no sofá, e o espírito alapardado na conformação. Sorrir, aquiescer, abanar a cabeça, fingir... As pessoas querem-nos banais, passivas, conciliantes... Pois sejamo-lo. Não vale a pena contrariá-las, ser junto delas uma presença de constante inquietação... Mas, quando tudo parece bem encaminhado, um demónio interior borra repentinamente a pintura. Numa frase, numa interjeição, num gesto, ponho fim à comédia. Tiro a máscara, e mostro o rosto impaciente, crispado, rebelde a qualquer domesticação. Resultado: Um abismo de ressentimentos à minha volta. E dá-me vontade de morrer. Em nome de um homem abstracto que tento dignificar em mim, sacrifico o homem concreto que sou, o mais vulnerável dos mortais - que a secura duma resposta pode manter, como agora, acordado e desesperado a noite inteira -, tímido, agónico, Deus sabe até que ponto necessitado em certos momentos de saborear também a cidreira da felicidade sem história"
"Coimbra, 12 de Janeiro de 1971 - E era tão fácil ter paz! A bovina, evidentemente, e a que apetece, em boa verdade, na maioria das horas. O corpo afundado no sofá, e o espírito alapardado na conformação. Sorrir, aquiescer, abanar a cabeça, fingir... As pessoas querem-nos banais, passivas, conciliantes... Pois sejamo-lo. Não vale a pena contrariá-las, ser junto delas uma presença de constante inquietação... Mas, quando tudo parece bem encaminhado, um demónio interior borra repentinamente a pintura. Numa frase, numa interjeição, num gesto, ponho fim à comédia. Tiro a máscara, e mostro o rosto impaciente, crispado, rebelde a qualquer domesticação. Resultado: Um abismo de ressentimentos à minha volta. E dá-me vontade de morrer. Em nome de um homem abstracto que tento dignificar em mim, sacrifico o homem concreto que sou, o mais vulnerável dos mortais - que a secura duma resposta pode manter, como agora, acordado e desesperado a noite inteira -, tímido, agónico, Deus sabe até que ponto necessitado em certos momentos de saborear também a cidreira da felicidade sem história"
PS: Este é o último post que coloquei no meu blog (http://www.hermesrevelado.blogspot.com/), que os convido a visitar. É também uma candidatura ao prémio da redonda...
terça-feira, 22 de janeiro de 2008
Aconteceu
Escrevo agora.
Aconteceu.
Não quero o prémio, rejeito-o.
Não como qualquer escritor maldito; não sou escritor.
Apenas um tipo que foi para um atelier de escrita sem saber bem porquê.
Talvez para Zarpar...
Zarpar
um acto falhado
na noite hedonista e no mar homérico
a alma penada enfrenta amor épico.
Rasgadas as vestes
o corpo despido
a alma ressaca
o amor prometido.
Ó mar cor de vinho
dulcíssimo balanço
que eu morra no caminho
que eu morra tentando.
E Zeus no Olimpo
recolha o defunto
emborque o seu vinho
e redima o mundo.
e até quarta, não é verdade?
Aconteceu.
Não quero o prémio, rejeito-o.
Não como qualquer escritor maldito; não sou escritor.
Apenas um tipo que foi para um atelier de escrita sem saber bem porquê.
Talvez para Zarpar...
Zarpar
um acto falhado
na noite hedonista e no mar homérico
a alma penada enfrenta amor épico.
Rasgadas as vestes
o corpo despido
a alma ressaca
o amor prometido.
Ó mar cor de vinho
dulcíssimo balanço
que eu morra no caminho
que eu morra tentando.
E Zeus no Olimpo
recolha o defunto
emborque o seu vinho
e redima o mundo.
e até quarta, não é verdade?
Mais uma sugestão
Tive outra ideia (hoje estou inspirada).
Já que às anteriores sugestões não se seguiu nem um "post", e como em princípio vamos ter um jantar no final do atelier, que tal instituirmos um prémio para quem escreva alguma coisa até lá, a ser entregue durante o jantar? Até poderíamos pôr o Roldeck a discursar e tudo. Aliás, se ele não vier aqui e ler isto e deduzir a necessária oposição no prazo de (estava a pensar em estabelecer um prazo curto de segundos, mas para ser justa e sobretudo porque desconfio que se calhar mesmo com um prazo longo, não vem na mesma) 24 horas, pode ficar já nomeado para o discurso da entrega do prémio!
sábado, 5 de janeiro de 2008
Sugestões
Que acham da ideia de "postarmos" neste blog, alguns dos trabalhos que escrevemos no atelier?
Quer no primeiro, quer no segundo, gostei imenso de ouvir ler alguns, pela forma como estavam escritos e pela originalidade do tratamento do tema. No entanto, porque apenas os ouvi e por uma vez, fiquei depois somente com uma vaga memória. Lembro-me, por exemplo, que quando fomos desafiados a escrever uma receita culinária, gostei muito de vários, entre os quais o da Minerva e o do Roldek, mas também o da D..., (que para já ainda não entrou para o blogue) e o de um colega (que penso não estará neste segundo atelier) que personificou os ingredientes, vinho do Porto, manteiga e chocolate.
Poderíamos também eleger ou propor um tema sobre o qual todos iríamos escrever, à semelhança dos trabalhos de casa, e poderia ser um projecto interessante elaborarmos um texto colectivo, estabelecendo previamente uma ordem para a sua continuação.
sábado, 29 de dezembro de 2007
Diário
O Diário de Miguel Torga desafia os seus leitores de várias formas. Além do prazer das palavras que descrevem os dias do escritor, obriga-nos à tarefa poética de rasgar o bordo de cada página, toscamente colada à anterior, para alcançarmos a continuação dos parágrafos inacabados. Cada nova página é um desafio de leitura e de perícia com a tesoura.
Achei o texto natalício (talvez seja pouco natalício) de Torga no dia 24 de Dezembro de 1968 interessante, resolvi partilhá-lo.
"S. Martinho de Anta, 24 de Dezembro de 1968 - As rabanadas comidas, a família recolhida, a árvore de Natal apagada, e eu aqui à lareira, debruçado sobre as brasas da murra sacramental, a passar mais uma vez as velhas contas do meu rosário de perplexidades. Como é que o Pai mandou o Filho tão tarde salvar o mundo? Quando já tantos milhões de homens se tinham perdido e a estratificação de alguns dos pecados mortais era irremediável? Mistérios divinos - a que a descida aos infernos emprestaria a necessária ambiguidade - ou, mais simplesmente, o Advento não aconteceu por altos desígnios, mas apenas por humana vontade? Há duas duas passagens nos Evangelhos que sempre me perturbaram. Numa, Jesus ensina: "Sede perfeitos como também vosso Pai celeste é perfeito". Na outra, mais preciso ainda, alude ao Salmo que diz: "Sois deuses". E, quando leio os versículos, parece-me estar a receber ordens perentórias de assumir a divindade. Em ambos os casos, o homem tem a sua sobrenaturalidade nas mãos. Simplicíssima, afinal, a entrada no céu: em vez de se bater timoratamente à porta, empurrá-la. Foi, de resto, o que fez Jacob quando lutou com o Anjo: "Não te largo enquanto me não abençoares". E se Cristo tivesse feito o mesmo? Se, convictamente, tivesse proclamado que chegara enviado pelo Altíssimo? Que outra coisa poderia fazer o Altíssimo, perante a violência de semelhante certeza, senão resignar-se e dizer que sim?
segunda-feira, 10 de dezembro de 2007
Pequena experiência para me iniciar num blogue colectivo
.
"Talvez seja verdade que não existimos enquanto não houver quem veja que nós existimos, que não falamos enquanto não houver quem ouça o que estamos a dizer, no fundo, que não estamos completamente vivos enquanto não formos amados."
.
Retirado do livro que estou a ler agora, "Ensaios de Amor" de Alain de Botton, página 112.
domingo, 9 de dezembro de 2007
Olá! a todos
Foi num jantar de repetentes... Com polvo como pano de fundo, por vinho bem regado e muito bem humorado; que a nossa juíza - Boa, teve a brilhante ideia deste Blog SA ( sem benefícios fiscais).
Espera-se dele? Palco, tela, pauta, ecrã... Registo em que a palavra que passa de boca em boca é reinventada quando lida neste ponto de encontro.
Afinal é a falar que a gente se entende e é na escrita que se compreende!
Que sejam muitos os textos, de todas as cores, musicalidades e diferentes interpretações. Para que antes de se apagarem na memória, ganhem voz em nós através da escrita.
Boa semana
Tanagra
Foi num jantar de repetentes... Com polvo como pano de fundo, por vinho bem regado e muito bem humorado; que a nossa juíza - Boa, teve a brilhante ideia deste Blog SA ( sem benefícios fiscais).
Espera-se dele? Palco, tela, pauta, ecrã... Registo em que a palavra que passa de boca em boca é reinventada quando lida neste ponto de encontro.
Afinal é a falar que a gente se entende e é na escrita que se compreende!
Que sejam muitos os textos, de todas as cores, musicalidades e diferentes interpretações. Para que antes de se apagarem na memória, ganhem voz em nós através da escrita.
Boa semana
Tanagra
sábado, 8 de dezembro de 2007
O Escritor
Yashima Khadra é o pseudónimo sob o qual escreve Mohammed Moulessehoul. Moulessehoul nasceu em Orão em 1955 e foi, até há pouco tempo, militar de carreira do exército Argelino. A sua escrita percorre os conflitos recentes no Médio Oriente com uma lucidez e um equilibrio invulgares, é assim em O Atentado e em As Sirenes de Bagdad, ambos publicado em português pela Bizâncio. O seu pseudónimo feminino permitiu-lhe escapar à censura militar, em O Escritor, Moulessehoul revela a sua identidade, conta a sua história, descrevendo-a como a fatalidade de ser escritor:
"O sofrimento não me aterrava; despertava-me, fazia-me tomar consciência da minha singularidade; eu era aquele que sabia ver, que estava atento à dor dos camaradas. E essa coisa, que se fortalecia em mim, habitava-me justamente para me assistir nessa vocação. Não foi senão ao ler O Pequeno Polegar que a descarga se abateu sobre mim, como uma revelação que bate à porta. Era aquele o dom divino: o verbo. Nascera para escrever! Ao abrir o belo livro, ao percorrer as suas páginas de esplêndidas ilustrações, plenas de fascínio, fiquei irremediávelmente apanhado: escrever livros. Devorei outros contos com um apetite insaciável: Branca de Neve, O Capuchinho Vermelho, A Bela Adormecida, as Fábulas de La Fontaine. Era feérico. Mas o meu fascínio, o verdadeiro, não era nem pelas histórias nem pelas personagens ou pelo talento fantástico dos desenhadores. Só o descobri ao iniciar-me, eu próprio, na escrita: estava fascinado pelas palavras... aquela junção de caracteres mortos que, entre uma maiúscula e um ponto, ganhavam de repente vida, tornavam-se frases, conjuntos, aquiriam força e espírito. Soube de imediato aquilo que mais queria no mundo: uma pena ao serviço da literatura, essa sublime bondade humana que não tem igual senão na sua vulnerabilidade; essa bondade suprema que continua a ser, ainda hoje, a última fortificação da nossa salvação, o último bastião contra a animalidade, e que, se alguma vez viesse a ceder, sepultaria sob os seus escombros todos os sóis do mundo, e então, boa-noite..."
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